sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Desvendando Escalas Musicais no Violão: Guia Completo

Uma vez, o Bruce Springsteen deu um baita susto em sua banda, durante um show. Ele decidiu atender ao pedido de uma fã e tocar Chuck Berry, veja o vídeo.

A questão é que a música nunca havia sido ensaiada. Mas isso não foi problema. Eles conseguiram, levando a plateia à loucura! E a explicação é muito simples: eles sabiam usar as escalas musicais.

Agora, com ajuda deste guia, você também poderá saber tudo sobre escalas musicais. E, com prática e perseverança, será um mago do violão.

Por isso, senta aí e não largue por nada este manual. Combinado?

Breve história da música moderna

No passado, a música era diferente de como a conhecemos. Instrumentos diferentes dos atuais ofereciam mais sonoridades do que hoje.

A grande mudança aconteceu na Idade Média quando religiosos decidiram simplifica-la. Eles fecharam as escalas musicais diatônicas.

Desde então, a música passou a ter sete notas acompanhadas de cinco “acidentes musicais”.

Quando um som está fora, mesmo que só por um Homem-Formiga de distância do que se espera, já pode ser considerado errado.

Um ponto importante

Tudo isso nos explica por que violões possuem marcações, os trastes. Com eles, nunca tocaremos um acorde errado se o violão estiver afinadinho (aprenda de vez a afinar aqui).

Agora que já sabemos a história, vamos direto aos estudos.

Escala Maior: a mais conhecida das escalas musicais

Mesmo que você não entenda nada de teoria musical, de escalas musicais e afins, você conhecerá, pelo menos, uma das escalas maiores.

Até crianças sabem qual é, para vermos como é famosa. Refiro-me à escala maior de Dó:

Dó (C) – Ré (D) – Mi (E) – Fá (F) – Sol (G) – Lá (A) – Si (B)

Viu como o assunto vai ficando cada vez mais simples?

Escalas são sequências que produzem sons harmoniosos, gostosos de ouvir.

Uma escala maior é construída com base em intervalos, os espaços entre as notas.

A partir da nota principal, também chamada de tônica, fazemos os cálculos e chegamos à sua escala maior.

E é bem fácil! Você não precisa ser nenhum Tony Stark para acertar. Veja a tabelinha: (Se você não sabe o que significam essas letras e símbolos leia primeiro: como ler cifras.)

Escala de Dó Maior

A primeira linha diz respeito às sete notas que formam a escala. Você se lembra que o fim de cada escala significa o começo de outra igual, certo? 

É justamente por isso que, se seguíssemos em mais um grau, teríamos a , a qual seria um novo Dó. A partir dele, tudo seguiria igual: Ré, Mi, Fá, Sol, Si, e assim sucessivamente;

Traduzindo a tabela

  • A segunda linha possui todas as sonoridades possíveis. Ali estão os tons principais e os acidentes. A grande sacada é que nomeamos os acidentes com base na nota anterior. Quando fazemos isso, chamamos de “sustenido” e colocamos o “#”;

Importante: ainda que chamemos de sustenido ou de bemol, a sonoridade da nota é a mesma, beleza?

As escalas musicais maiores de todos os tons

Nós já, já estudaremos os intervalos. Mas, antes, vamos conhecer as escalas maiores de todos os tons e acidentes.

Veremos ainda outras escalas musicais importantes e, num piscar de olhos, desvendo tudo para você. Então fique ligado!

Escalas Maiores de Todos os Tons

Observação: se tiver estranhado o Cb, dê um pulinho no guia sobre campos harmônicos que preparamos. Lá eu explico direitinho o motivo.

Prontinho! Aqui estão todas as escalas musicais maiores para todas as notas possíveis. Não precisa decorar. Mas ter a tabelinha em mãos pode agilizar bastante a construção de acordes.

Vamos seguir vendo as escalas e, daqui a pouco, colocamos fim ao mistério dos intervalos. Combinado?

Escala Menor: uma das mais importantes escalas musicais

Se você sonha um dia tornar-se um compositor, deveria gastar horas e horas estudando as escalas musicais menores conosco.

Em todos os estilos musicais possíveis, profissionais dedicam muito carinho às escalas menores.

Elas possuem um ar mais sombrio e melancólico, enquanto as maiores são mais alegres. Por essa razão, o Rock, as variações de Metal e mesmo o sertanejo as exploram bastante.

Vejamos a construção da escala de Mi menor, muito utilizada por bandas como Metallica e Iron Maiden:

Escala Menor

Por enquanto, vamos desenvolver juntos a tabela com todos os tons em suas escalas musicais menores. Vamos lá.

Aqui, já podemos perceber que o resultado é bem diferente da escala maior.

Ficará ainda mais claro quando compararmos as escalas musicais maior e menor da mesma nota.

As escalas musicais menores de todos os tons

Assim como com as escalas musicais maiores, ter esta tabela em mãos pode facilitar muito na hora de construir acordes:

Escala Menor de Todos os Tons
Variações da escala menor: novos horizontes para a improvisação

Guarde-a com carinho e continuemos nosso aprendizado.

As escalas musicais menores podem se desenvolver de diferentes formas.

Uma delas já conhecemos, e a chamaremos de “menor natural” — essa que já estudamos.

Porém, além dela, existem outras variações muito bonitas, utilizáveis em solos e arpejos, os quais engrandecem demais as músicas que tocamos.

Vamos ver?

Escala menor harmônica

Durante toda a história da música, experimentar sempre foi a chave de ouro. Isso possibilitou que as músicas ficassem cada vez mais ricas e bonitas.

Um desses experimentos fez nascer a escala menor harmônica.

Esta escala musical parece bastante com a menor natural, mas possui uma variação. Isso faz toda diferença.

Escala Menor Harmônica

Em algum momento de sua vida, você já deve ter ouvido Jazz ou Bossa Nova. Estou certo? Nem que fosse num elevador ou sala de espera.

Escala menor melódica

Quando falamos sobre as escalas musicais menores melódicas, são justamente esses os estilos que vêm à nossa mente.

Ela se parece muito com a escala maior, mas sofre uma variação e, com isso, dá um novo brilho quando aplicada. Vejamos:

Escala Menor Melódica


Antes de passarmos de uma vez para os intervalos, vamos descobrir algumas novas escalas musicais.

Outras escalas musicais interessantes

Escala cromática

Talvez você já tenha ouvido esse termo. Sim, existe um tipo de gaita que possui todas as sonoridades e é bem difícil de tocar. Seu nome é justamente “gaita cromática”.

Do mesmo modo que na gaita cromática, a escala cromática usa todos os semitons.

Solos muito elaborados ou mesmo progressões de baixo brincam com ela para engrandecer a música.

E é tão simples que parece mentira: ela tem doze notas. Veja:

Escala Cromática
Escala de tons cheios

Esta também é conhecida como “escala de tons inteiros” e “hexatônica” — enquanto só possui seis notas.

Funciona exatamente como o nome anuncia: não há intervalos de semitons na execução. Veja:

Escala de Tons Cheios
Escala diminuta
 

Também presente no Jazz e Bossa Nova, trata-se de uma escala bem diferente e com sonoridade única. Confira:

Escala diminuta
Reparou que há oito notas, mas a oitava não corresponde à tônica oitavada? Eis a surpresa escondida nessa escala.

Pentatônica Menor e a “Pentablues”

Em muitos estilos, a pentatônica menor é rainha. Formada por cinco notas, simplicidade e beleza são seu sobrenome.

Ela foi muito explorada pelo Rock, em seu início, e ganhou o blues com uma pequena alteração.

Vamos conhecer?

  • Pentatônica menor

Escala Pentatônica Menor

  • Pentablues

Pentablues
Intervalos: o segredo para dominar as escalas musicais

Não duvidaria se você dissesse que comecei o assunto “tarde demais”. Todos os blogs que você visitar tratarão os intervalos logo de cara, não é verdade?

Acontece que nós não queremos te passar “receita de bolo”. Nossa intenção é que você aprenda mesmo! Não nos é interessante ver você apenas decorando coisas.

Já imaginou um bebê estudando gramática antes de aprender a falar? Ou uma criancinha estudando ortografia antes de começar a escrever?

Seria absurdo, não concorda? Por isso, segui o modo natural de aprendizado para que você realmente fique parrudo no assunto.

Como no caso do bebê que está aprendendo a falar, ainda que não esteja dominando o tema, você já sabe:

  • o que são escalas;
  • como são formadas;
  • existem várias escalas na música;
  • elas são parecidas, mas as pequenas diferenças as tornam únicas;
  • cada uma tem sua aplicação.

Viu que magnífico? O caso todo, agora, será explicar por que elas funcionam assim.

E, como você já sabe de muita coisa, afinal falamos antes, este momento te permitirá entender em vez de simplesmente decorar. Valeu a pena, não?

O que são intervalos

As notas correspondem a frequências. Isso não é novidade.

O importante é compreender como essas frequências ganham nome. E é tarefa bem simples.

No nosso sistema musical diatônico, os doze sons possíveis desenvolvem-se como já vimos antes. A relembrar:

C – C#/Db – D – D#/Eb – E – F – F#/Gb – G – G#/Ab – A – A#/Bb – B – C

E o que percebemos, ainda que não soubéssemos explicar? Que não existe uma nota exclusiva E#, nem Fb, muito menos B# ou Cb. Um E# é, na verdade, um F. Um Fb é um E. Um Cb, B. Um B# é um C. E tudo toma forma:

Não existe, na música moderna — e só ela importa para nós —, acidente algum entre B e C, nem entre E e F.

Não existe mesmo!

Enquanto o C está na terceira casa da corda A, e o D está apenas na quinta casa da mesma corda, o B está na segunda e, já de cara, temos o C.

Com isso, sabemos que, segundo a matemática, precisamos fazer adaptações quando consideramos as escalas. Afinal, temos que pensar nessas exceções para acertarmos.

Tal conhecimento nos entrega que:

  • entre C e D há UM TOM INTEIRO, ou seja, precisamos passar do C, pular o C#/Db e, então, chegamos ao D;
  • entre D e E há UM TOM INTEIRO, ou seja, precisamos passar do D, pular o D#/Eb e, então, chegamos ao E.

Porém:

  • entre E e F só há UMA CASA do braço, o que significa que não pulamos nenhuma nota, já que não existe. Ou seja: a distância em E e F é de um semitom.

E voltamos:

  • entre F e G há UM TOM INTEIRO;
  • entre G e A há outro TOM INTEIRO;
  • entre A e B também há UM TOM INTEIRO.

No entanto:

  • entre B e C, novamente, só há UMA CASA do braço, sendo distantes por um semitom.

Dica monstro

Mi e Si terminam com a vogal “i”, certo? Todas as demais terminam com “a”, “e” ou “o”, não é verdade?

Por isso, para memorizar com mais facilidade, lembre:

Se o nome da nota termina com “i”, então ela está a meio tom da próxima.

Você começou a entender, não foi? Vamos tomar novos exemplos.

A fórmula da escala maior de Dó

Assim que começamos a estudar, a escala maior de Dó foi guia. Ela funciona porque, como disse antes, até crianças a conhecem.

Vamos, portanto, resumir tudo em uma tabela matadora, a qual acabará com qualquer dúvida.

Note que a letra “T” maiúscula significará que precisamos contar UM TOM INTEIRO a partir da nota, e “st” significará distância de SEMITOM até a próxima:

fórmula da escala de Dó maior
Viu como faz sentido? Entre
C e D há um tom inteiro. Entre D e E há um tom inteiro. Entre E e F há meio tom. Entre F e G há um tom inteiro. Entre G e A há um tom inteiro.

Entre A e B há, também, um tom inteiro. Mas, entre B e a oitava de C há, apenas, meio tom. Assim, temos:

Tom – Tom – Semitom – Tom – Tom – Tom – Semitom

A isso chamamos “intervalo”. A regrinha serve de base para qualquer tônica, se estivermos falando de uma escala maior.

Visite novamente a tabela de todas as notas e confira como funciona. Foi justamente por isso que numerei as casas 1, 3, 5, 6, 8, 10 e 12.

A fórmula da escala menor

Da mesma forma, podemos reduzir a escala menor de qualquer nota a uma pequena fórmula. E vamos fazer isso com base na nota C também. Apenas recorde a tabela:

Fórmula Escala Menor

Portanto, teremos a seguinte fórmula mágica:

Tom – Semitom – Tom – Tom – Semitom – Tom – Tom

Com isso, assim que paramos para analisar, sabemos que as principais diferenças entre a escala maior e a menor natural são:

Escala maior e escala menor
Viu que a
terceira nota virou bemol (recuou uma nota) na escala menor?

Viu que o mesmo aconteceu com a sexta e a sétima notas, se comparamos com a escala maior?

Aí está todo o mistério das escalas musicais, meu querido amigo.

É disso que falamos quando mencionamos os tão famosos intervalos: a matemática da música.

Tabela com as principais escalas

E como seriam as fórmulas de todas as escalas das que falamos organizadas na mesma tabela? Bora fazer?

Tabela com a fórmula das principais escalasAs principais escalas em fórmulas

Está vendo como você é meu aluno predileto?

Vou moldar todas as escalas mostradas antes em fórmulas para você guardar na carteira. Acompanhe:

Escala maior

Tom – Tom – Semitom – Tom – Tom – Tom – Semitom

Escala menor natural

Tom – Semitom – Tom – Tom – Semitom – Tom – Tom

Escala menor harmônica

Tom – Semitom – Tom – Tom – Semitom – Tom + Semitom (um tom e meio) – Semitom

Escala menor melódica

Tom – Semitom – Tom – Tom – Tom – Tom – Semitom

Escala cromática

Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom – Semitom

Escala hexatônica

Tom – Tom – Tom – Tom – Tom

Escala diminuta

Tom – Semitom – Tom – Semitom – Tom – Semitom – Tom – Semitom

Pentatônica menor

Tom + Semitom (um tom e meio) – Tom – Tom – Tom + Semitom (um tom e meio)

Pentablues

Tom + Semitom (um tom e meio) – Tom – Semitom – Semitom – Tom + Semitom (um tom e meio)

Sabe o que é mais incrível?

Essas aí nem são todas as escalas musicais, jovem Padawan. Embora as principais estejam aqui, ainda há muito para explorar.

Desse modo, você possui todas as ferramentas necessárias para que conquistar sozinho as próximas patentes.

Mas sabe por que você deveria me considerar seu melhor professor?

Porque, ainda que já tenha contado todos os segredos, anunciado todos os truques e artimanhas místicas, eu ainda não terminei: vou passar todas essas escalas em tablaturas.

Com elas, você poderá treinar de uma maneira muito mais rápida, conquistando terrenos quase que instantaneamente.

Tablaturas das principais escalas musicais

Vamos, agora, reproduzir toda a teoria em tablaturas. Que bônus, não? Com elas, você conseguirá melhorar sua digitação e também treinar a flexibilidade da mão esquerda.

Lembre-se que todas as notações terão como fundamento.

E, se você não souber ler tablaturas, dê um pulinho na nossa matéria sobre como ler tablaturas e vire mago no assunto:

Escala maior

Tablatura Escala Maior

Escala menor “natural”

Estaca menor natural

Escala menor harmônica

Tablatura Escala Menor Harmônica

Escala menor melódica

Tablatura da escala menor melódica

Escala cromática

Tablatura Escala Cromática

Escala hexatônica

Tablatura Escala Hexatônica

Escala diminuta

Tablatura Escala Diminuta

Pentatônica menor

Tablatura Escala Pentatônica

“Pentablues”

Tablatura Pentablues

 

Pronto! Agora já você já conhece as principais escalas musicais, os intervalos para gera-las e até a digitação delas no braço do violão.

E, de quebra, ainda saiu com excelentes tabelas para revisitar sempre que quiser. Uma com todos as escalas musicais maiores, outra com todas as escalas menores e, ainda, outra com todos os intervalos.

Eu quero muito que, caso tenha ficado alguma dúvida, você fale com a gente aqui na caixa de comentários. Combinado?

Esperamos que tenha gostado e tenho certeza que você vai deixar o seu comentário. Não marque bobeira!

Esperamos você por aqui novamente, viajante das escalas.

O post Desvendando Escalas Musicais no Violão: Guia Completo apareceu primeiro em Dicas de Violão.


Fonte: Dicas de Violão http://bit.ly/2V17d3A

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Campo Harmônico: Como Não Depender Mais de Cifras

Você já reparou que músicas diferentes muitas vezes possuem os mesmos acordes?

E alguma vez se perguntou como músicos experientes são capazes de tocar qualquer música “de ouvido”?

Se sim, essas e muitas outras perguntas estão a um passo de serem respondidas. Para isso, vamos juntos entender o que é e para que serve o campo harmônico no estudo musical e, claro, especialmente no aprendizado do violão.

Vamos lá?

O conceito de harmonia

Em primeiro lugar, o próprio termo já deixa o assunto mais fácil de entender.

Harmonia, ideia básica aqui, possui vários significados, mas sempre remete a consonância, ao “soar junto” de uma realidade, de modo belo e ordenado.

Na música, campo harmônico corresponde a uma sequência lógica dos acordes.

Com base no tom de uma melodia, ou seja, seu acorde principal, devemos esperar uma sequência preestabelecida dos demais acordes variando entre maiores e menores.

Parece muito complicado, mas nada melhor que um exemplo para esclarecer.

O campo harmônico maior de Dó

Como já sabemos, a escala maior de Dó desenvolve-se em Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si.

Essa sequência de notas é invariável. Porém, se a tocarmos apenas com acordes maiores no violão, o resultado será terrível.

Isso acontece porque, no campo harmônico, lidamos com acordes. Eles são mais complexos que notas isoladas, já que inicialmente formados por tríades.

Dessa forma, para reproduzirmos o campo harmônico de Dó maior, faremos da seguinte maneira:

  • A nota Dó da escala maior vira o acorde Dó maior (C), formado pelas notas , Mi e ;
  • A nota Ré da mesma escala vira o acorde Ré menor (Dm), formado pelas notas , e ;
  • A nota Mi converte-se no acorde Mi menor (Em), formado por Mi, Sol e Si;
  • A nota Fá vira o acorde Fá maior (F), formado pelas notas , e ;
  • A nota Sol vira o acorde Sol maior (G), formado por Sol, Si e ;
  • A nota Lá torna-se o acorde Lá menor (Am), formado por , e Mi;
  • A nota Si, por fim, torna-se o acorde Si menor com quinta diminuta (Bm(b5)), formado por Si, e .

Se você não entendeu o que são essas letras na frente do nome dos acordes,  aprenda como ler cifras clicando aqui.

Desse modo, temos os seguintes acordes para explorar numa música cujo tom seja Dó (C): C, Dm, Em, F, G, Am e Bm(b5). Belle de Jour, de Alceu Valença, é um excelente exemplo do uso deste campo harmônico.

Aplicando o campo harmônico maior dos demais tons

Analisando o desenvolvimento harmônico de Dó, podemos abstrair a seguinte regra. Temos:

1º grau Maior, 2º menor, 3º menor, 4º Maior, 5º Maior, 6º menor e 7º menor com quinta diminuta.

Agora, basta posicionarmos regra e tons numa tabela para desenvolvermos os campos correspondentes. Vamos juntos?

Tabela do Campo Harmônico Maior


Mas veja:
você não precisa decorar essa tabelinha, hein? Muito pelo contrário. Primeiro porque, com o tempo, ela se tornará natural para você.

E, em segundo lugar, porque vamos te explicar direitinho como descobrir qual nota fica em cada posição e por que ela deve ser maior ou menor.

Então continue acompanhando, concentrado como se fosse o Gavião Arqueiro.

Observação: Seus olhos podem ter sangrado ao ler Cb (Dó bemol) no campo harmônico de Gb. Mas é isso mesmo. Em música, não podemos ter B e Bb ao mesmo tempo na escala, por exemplo.

Isso ocorre para não atrapalhar os músicos quando a notação é em partitura. Se uma nota já apareceu, seu nome não pode se repetir.

Por isso, em casos como esse, que não haveria outro modo, temos a permissão para dizer Cb, B#, Fb e E#, afinal um Cb nada mais é do que um Si, não é?

Campo harmônico maior aplicado

Ninguém vive só de teoria, não é verdade? Justamente por isso, vamos juntos ver na prática o campo harmônico maior.

Lembra que, há pouco, eu comentei que “Belle de Jour” é um exemplo perfeito? Então vejamos:

C – Em (várias vezes) — Am – Em (4x) – F – G

É uma canção muito simples. Quase que não há variações. Apesar disso, é lindíssima pelo modo como o artista executa o dedilhado dos acordes.

No entanto, viu só como cada um dos acordes faz parte do campo harmônico maior de Dó? A grande questão é: nem todos os acordes possíveis foram utilizados.

E isso é normal. Apenas atente-se e compare-a com o campo harmônico:

Campo Harmônico de Dó Maior


Quando alguém compõe, a grande tarefa é conseguir algo bonito e inovador dentro de uma quantidade pequena de possibilidades.

Inclusive, muitas vezes a harmonia de duas músicas é igualzinha. A diferença fica por conta do ritmo, letra e da melodia vocal.

Confira um vídeo do canal RipTard no qual 22 músicas são tocadas usando os mesmos quatro acordes.

São eles: G, D, Em e C/G (Dó com baixo em Sol). Em menos palavras: o campo harmônico maior de G.

A matemática por trás de tudo

Quase nada na vida é por acaso. Na teoria musical, muito menos. Isso nos dá muita tranquilidade, afinal sabemos que basta estudar para descobrirmos o motivo de uma fórmula.

Contamos a você como é o campo harmônico maior de todos os tons. Mas isso não é o bastante.

Chegou o momento de descobrir como desenha-lo sozinho. E, por mais complexo que tenha parecido até agora, a realidade é bem diferente. Apenas continue prestando muita atenção.

A escala maior como régua do campo harmônico maior

Pouco fará sentido se você não tiver lido nosso guia definitivo de escalas. Juro! Será bem mais difícil compreender.

Porém, ainda assim, farei todo o esforço possível para que você entenda da melhor forma possível.

O mais importante é que você aprenda, não é mesmo? Então vamos:

O campo harmônico maior de Dó segue os mesmos intervalos da escala maior. A saber:

Tom – Tom – Semitom – Tom – Tom – Tom – Semitom

Justamente por isso, temos C, D, E, F, G, A e B. E repare: não há um único acidente. Como na escala maior de Dó, não temos nenhum sustenido ou bemol entre as notas fundamentais. Isso nos entrega que, quando falamos de um relativo maior da nota Dó, acidentes sequer existem. Esteja atento!

Todo acorde básico é formado por uma tríade, ou seja, a junção harmoniosa de três notas correspondentes ao , e 5º graus da escala.

No caso do acorde C, temos: C – E – G.

Nenhum acidente. , Mi e Sol são tons principais, não é mesmo? A escala maior está perfeitamente aplicada aqui.

Agora, por motivos de teste, vamos analisar o acorde de Ré maior:

  • corda D solta;
  • segunda casa da corda G: A;
  • terceira casa da B: D;
  • segunda casa da corda e: F#.

Temos D – A – F#:

Sustenido é acidente, meu caro. Existe algum acidente na escala maior de Dó? Não, verdade? E como tratar?

Ora, basta recuar esse acidente, atingindo uma nota que pertence à escala maior de Dó. Se voltamos meio tom, o F# vira F.

A grande questão repousa aqui: quando recuamos meio tom na terça de Ré, o acorde vira um Dm (Ré menor). Guarde isso!

Analisando os demais acordes no campo harmônico de Dó

Você já entendeu o segredo. Mas vamos, juntos, dar uma passada de olho pelos demais acordes. Isso ajudará a fixar a lógica e, claro, servirá como treino de teoria.

O caso de Mi

Assim como no caso de Ré, o acorde de Mi maior possui acidente. Olhe só:

  • E solta;
  • A na segunda casa: B;
  • D na segunda casa: E;
  • G na primeira casa: G#;
  • B solta;
  • e

Como já sabemos, acidentes não são bem vindos. Por isso, para corrigir, basta voltar um semitom no acidente. E, ao fazer isso, o que acontece? Ora, o acorde vira um Mi menor (Em).

A vez de F, G e A

Nos casos de F e G, a vida fica bem mais fácil. Nesses dois acordes, as notas da tríade são naturalmente adequadas à escala maior de Dó. Confira:

  • F: a tríade (1º, 3º e 5º graus) é composta por Fá – Lá – Dó;
  • G: a tríade é composta por Sol – Si – Ré;

Em A, por sua vez, temos o mesmo probleminha de D e E. Sua tríade é formada por Lá – Dó sustenido – Mi. Revertendo o acidente, temos o acorde de Am.

Si: o caso mais curioso de todos

Quando apontei a tabelinha do campo harmônico maior de Dó, você olhou bem para o acorde Si?

Além de ser menor por conta de um acidente no 3º grau, precisa ser menor com a quinta diminuta: Bm(b5).

Isso é necessário porque há outro acidente no 5º grau. Compare as tríades de B, Bm e você entenderá:

  • B: a tríade é composta por B, D# e F#;
  • Bm: a tríade é composta por B, D e F#.

Assim, precisamos também corrigir o segundo acidente. Fazendo isso, teremos a tríade B – D – F, ou seja, Bm(b5).

Corrigimos o primeiro acidente, gerando um acorde menor, mas também alteramos o 5º grau meio tom para trás. A formação desse acorde é essa:

  • segunda casa da corda A pressionada com o indicador: B;
  • terceira casa da corda D pressionada com o médio: F;
  • quarta casa da corda G pressionada com o mindinho: B;
  • terceira casa da corda B pressionada com o anelar: D.

Não se esqueça que as cordas Mi não devem ser tocadas, beleza?

Curiosidades sobre o sétimo grau do campo harmônico maior

Acordes diminutos no sétimo grau

Você encontrará por aí teóricos afirmando que o sétimo grau do campo harmônico maior de um acorde será um acorde diminuto. Mas será que isso é verdade? Vamos analisar para descobrir.

Quando desmonto o acorde B° (Si diminuto), tenho o seguinte resultado: B – D – F – G#.

Ora ora, não temos um G# ali no acorde? Já estamos carecas de saber que não cabem acidentes no campo harmônico maior de Dó.

Não estou certo? Então por que alguém sugeriria o B° como sétimo grau do campo harmônico? E vou te explicar:

Se olharmos para o B° unicamente do ponto de vista de tríades, estará tudo bem.

O problema é que não se trata de um acorde formado por ter graus, mas por quatro. B° é, na verdade, uma tétrade. “Tetra” significa “quatro” em grego, como tetracampeão.

Essa tétrade é formada por uma 3ª menor, uma 5ª diminuta e uma sétima diminuta. Essa sétima diminuta é justamente o G# ou Ab, um acidente.

Por isso, não está correto dizer que B° é o sétimo grau do campo harmônico maior de Dó. O melhor e mais certo é considerar o Bm(b5) por ser a tríade esperada, como mostramos antes.

Entendido?

Utilizando uma Tétrade no lugar de Bm(b5)

Outra diferença entre o que vimos e versões de outros teóricos é o uso de uma tétrade no sétimo grau.

Se falarmos de , essa vertente utilizará o Bm7(b5)Si menor com sétima e quinta diminuta.

Do ponto de vista da formação, não há qualquer problema, uma vez que a tétrade de Bm7(b) é B – D – F – A.

Todas são notas da escala maior de Dó e, portanto, podem estar num acorde do campo harmônico maior de Dó.

A grande diferença foi usar uma tétrade em vez de uma tríade, como em todos os outros graus.

Já do ponto de vista estético, um acorde com sétima soa como preparação e possui um som mais elaborado.

O ideal seria reservar essa opção para quando utilizarmos tétrades em outros graus também, como por exemplo, C7M. De todo modo, experimente. Se gostar da sonoridade, tudo joia.

Campo harmônico menor natural, menor harmônico e menor melódico

Como era de se esperar, o campo harmônico maior não é o único. Ainda que seja o mais utilizado e mais necessário de estudar, há outros.

A grande sacada é que não precisamos falar deles aqui, afinal a base teórica é idêntica à da construção do campo harmônico maior.

Você pegará a escala menor natural, harmônica ou melódica, considerará os intervalos característicos dessa escala e analisará as tríades.

É uma excelente lição de casa, não?

Agora que você já tem toda a teoria detalhadinha, vários exemplos e tabelas incríveis, basta colocar o filhote no colo e treinar, treinar e treinar.

Se ficou alguma dúvida ou se você quer colocar seu ponto de vista sobre algum dos assuntos que discutimos aqui, deixe seu comentário no campo abaixo.

Aqui, junto com a gente, seu sonho de ser um paladino do violão se realizará muito em breve.

Até a volta, querido aluno!

O post Campo Harmônico: Como Não Depender Mais de Cifras apareceu primeiro em Dicas de Violão.


Fonte: Dicas de Violão http://bit.ly/2EaDjV7

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